http://www.institutozenmaitreya.org.br/2019/04/zen-shiatsu.html

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo 154 - A respeito da extinção.

 


Sãtya-siddhi-shãstra
Capítulo 154 - A respeito da extinção.


Se tiver ao Nirvana por seu objeto é chamada de mente do vazio.

Pergunta: se no Nirvana não existe a mente do dharma qual será o seu objeto?

Resposta: esta mente possui um objeto sem propriedades. Como este ponto já foi esclarecido anteriormente sabemos que se trata do conhecimento do Nirvana.

Pergunta: aonde é extinta esta mente do vazio?

Resposta: ela pode ser extinta de duas maneiras. Na primeira ela é extinta através da absorção meditativa da extinção, na segunda no Nirvana sem resíduos no momento em que é cortada a sua continuidade. Por que razão? Como estão extintas as suas causas e condições, esta mente se extingue. Na absorção da extinção ela se extingue porque seu objeto está extinto. No momento em que é cortada a sua continuidade, ocorre a extinção do carma e a própria extinção desta mente. Conforme é dito pelo tratadista, com a extinção das três mentes, do carma e dos klesas ela não volta a surgir.

Pergunta: por que não volta a surgir?

Resposta: como este praticante realizou a ausência do ãtman, extinguem-se o carma e os klesas. É como uma lâmpada que se apaga por falta de combustível. Desta forma, caso exista a mente do ãtman, dela surgem o carma e os klesas tendo a ela como seu ponto de apoio. Como não mais existem estes apoios, eles não voltam a surgir. Ou ainda, a visão correta incontaminada extingue a todas as características e nada mais resta. É da mesma forma com que o fogo se extingue após queimar a terra sem deixar resíduos. Como não existem mais as características, o carma e os klesas não voltam a surgir. Ou ainda, se existir a mente do ãtman, surgem o carma e os klesas. Quando um Arahat realiza a sabedoria do vazio, como não existe mais a mente do ãtman estes fatores não voltam a surgir.

Pergunta: esta pessoa pode não criar um novo carma, mas como é possível impedir o surgimento de um carma já cometido?

Resposta: como esta pessoa já extinguiu o carma através do discernimento correto, a retribuição não mais se manifesta. É como uma semente que não volta a surgir. Ou ainda, como não existe mais a mente do apego, não existem as retribuições. É como uma terra infértil aonde as sementes não frutificam. Ou ainda, se este praticante extinguir as características das bases da consciência, ela não ressurge em função da falta de uma base de apoio. É como uma semente que não pode frutificar em um solo infértil. Ou ainda, é em função do carma e dos klesas que este corpo é recebido, desaparecendo estes fatores ele se extingue. Como não existem klesas nesta pessoa, as causas e condições não se efetivam. Como se extinguem os carmas, eles não conduzem ao renascimento. Ou ainda, é em função dos klesas que os seres sensíveis recebem as retribuições, como não existem mais os klesas não existe o renascimento, não existindo o corpo, não existem retribuições: como podem existir aí os carmas? Quando o devedor está sob proteção, o credor nada pode exigir. É da mesma forma em relação aos praticantes. Se eles não existirem em meio ao nascimento e morte, mesmo que exista o carma ele não conduz á retribuição. Estes seres sensíveis podem sofrer a retribuição em função dos klesas, sendo esta retribuição proporcional ao seu carma. Ao realizar a emancipação, não ocorrem mais estas retribuições. Ou ainda, o próprio carma surge em conjunto com sua retribuição, se esta pessoa praticar o vazio, como não existem características intrínsecas dos dharmas, os carmas não produzem sua retribuição. É como escravizar seu próprio filho, não existe aí nenhum proveito. E ainda é desta forma. Ou ainda, o poder dos klesas transforma o carma, a energia dos klesas não se transforma no carma. É como uma mãe que amamenta o filho com seu próprio sangue. Como se extingue o desejo, ele não volta a se manifestar. Ou ainda, uma pessoa se cultiva através do poder da virtude dos preceitos, da absorção meditativa e do discernimento. Como é grande o seu poder o carma não volta a se manifestar. Assim sendo, mesmo que exista um carma já realizado, ele não conduz á retribuição. Como é fraco o carma desta pessoa, ele não volta a se manifestar e não produz um novo carma. É como as cinzas extintas que não conduzem a uma nova combustão. Também é assim a respeito desta pessoa. Como ela não a recebe, extingue-se a retribuição. É através da extinção das três mentes que se realiza a emancipação em relação a todo o sofrimento. Em função disto, a sabedoria deve extinguir a estas três mentes.


Traduzido por: Prof. Dr, Joaquim Monteiro

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo 153 - A extinção da mente do dharma.

 


Sãtya-siddhi-shãstra
Capítulo 153 - A extinção da mente do dharma.


Pergunta: você referiu-se anteriormente á extinção das três mentes denominando-a da Verdade da extinção. Já nos foi dado saber a respeito das causas e condições da extinção da Mente nominal. Gostaria agora de saber a respeito da Mente do dharma e de como ela deve ser extinta.

Resposta: a Mente do dharma é a mente que pressupõe a existência efetiva dos cinco agregados. Se for desenvolvido o cultivo da sabedoria do vazio conduzindo á visão do vazio dos cinco agregados se extingue a Mente do dharma.

Pergunta: o praticante ao discernir o vazio dos cinco agregados afirma que não existe um dharma permanente, um dharma estabelecido, um dharma incorruptível, um dharma imutável ou um dharma como o ãtman ou como a característica de um ãtman em meio aos cinco agregados. É a inexistência destes dharmas que é chamada de vazio, isto não implica que ele não realize a visão dos cinco agregados.

Resposta: novamente, o praticante não realiza a visão dos cinco agregados. Por que razão? O praticante elimina as mentes dos objetos condicionados, realizando a mente dos objetos incondicionados. Em função disto, o praticante não realiza a visão dos cinco agregados. Ele realiza apenas a visão da extinção dos cinco agregados. Ou ainda, se ele realizar a visão dos cinco agregados, esta visão não é chamada de vazio por não serem vazios estes cinco agregados. Esta sabedoria do vazio não implica em sua realização.

Pergunta: o praticante realiza a visão da forma e como nela não existe um ãtman, ela á vazia. Conforme é ensinado no Sutra, este praticante realiza a visão do vazio desde a forma até a consciência. Devemos saber assim que dharmas como a forma não são inexistentes.

Resposta: existe esta asserção, mas ela não é pura. Conforme é ensinado no Sutra sobre os selos do dharma, a visão do praticante a respeito das características da impermanência, da dissolução e do afastamento em relação a fatores como a forma é ainda chamada de vazio. No entanto, esta visão ainda não é pura. Ao realizar posteriormente a visão da extinção dos cinco agregados, este discernimento se torna puro. Assim sendo, sabemos que ele realiza a visão da extinção dos cinco agregados.

Pergunta: por que razão a sabedoria que tem aos dharmas condicionados por seu objeto não realiza a pureza?

Resposta: em um dado momento, o praticante suscita as características dos cinco agregados. Em função disto, surge novamente a Mente nominal. Em função disto, a mente que tem por seu objeto os dharmas condicionados não realiza a pureza. Se ela realizar a extinção dos cinco agregados, estes cinco agregados não voltam a surgir na medida em que estão extintas as causas e condições que constituem o nominal. Esta visão não é acompanhada pelas características do nominal. É como o exemplo de uma árvore. Caso ela seja cortada ou reduzida a cinzas através do fogo, se retira sua imagem e ela não torna a aparecer. É desta mesma forma. Ou ainda, o Buddha se dirige a Nanda dizendo: se você despedaçar os seres sensíveis, eles não voltarão a surgir. Ou ainda se ensina em um Sutra: Nanda, se você despedaçar desde a forma até á consciência, elas não voltarão a se fazer presentes. Em função disto podemos saber que caso refute os seres sensíveis é chamado de vazio nominal, que caso refute fatores como a forma é chamado de vazio dos dharmas. Ou ainda, existem duas modalidades de discernimento que são o discernimento do vazio de ãtman e o discernimento do vazio dos dharmas. O discernimento do vazio de ãtman não vê os seres sensíveis nominais. É da mesma forma com que uma pessoa não vê um pote e saber que ele é vazio por não conter água, da mesma forma, como não existe um ãtman em meio aos cinco agregados, este ãtman é vazio. Caso os dharmas não possam ser objetos de contemplação eles são vazios. Ou ainda é ensinado nos Sutras, a realização do vazio do ãtman equivale á correta emancipação, em função disto sabemos que a natureza da forma está sujeita á extinção, que a natureza da sensação, da identificação, dos impulsos volitivos e da consciência está sujeita á extinção. A isto chamamos de vazio dos dharmas. O vazio dos dharmas implica na inexistência de uma natureza.

Pergunta: se o vazio dos dharmas implica na inexistência de uma natureza, a existência efetiva dos agregados é agora anulada.

Resposta: os cinco agregados não possuem uma existência efetiva, eles existem em função da verdade mundana. Por que razão? O Buddha ensina que as diversas formações são como uma ilusão ou aparição. Elas são reais em função da verdade mundana, mas não se constituem como existências efetivas. Ou ainda, se ensina nos Sutras a respeito do vazio supremo. É em função deste princípio que a forma é vazia e sem características próprias. Ou que os dharmas como a consciência não possuem caraterísticas próprias. Em função disto, se alguém discernir o vazio dos dharmas como a forma a isto se chama a visão do vazio supremo.

Pergunta: se os cinco agregados existem em função da verdade mundana, por que razão se ensina que dharmas como a forma consistem na verdade última?

Resposta: isto é ensinado em benefício dos seres sensíveis. Se alguém suscitar a percepção de uma existência efetiva em meio aos cinco agregados, se ensina que sendo os agregados a verdade última eles se constituem como o próprio vazio.

Pergunta: não se ensina nos Sutras que existe o carma e seus frutos, mas que apenas o agente é incognoscível?

Resposta: o caráter incognoscível do agente é ensinado em função dos dharmas. Este é um ensinamento ligado ao vazio do nominal. É da mesma forma com que se ensina nos Sutras, os dharmas são existências puramente nominais, o nominal implica em que em função das causas e condições da ignorância existe a insatisfatoriedade, a origem e a extinção das diversas formações até a velhice e a morte. É em função destas palavras que sabemos que em função dos cinco agregados são vazios em sua relação com a verdade última. Ou ainda se ensina no Sutra do grande vazio: se alguém se referir á velhice e á morte e esta velhice e morte implicarem na existência de um ãtman e se ensinar que este ãtman e o corpo são distintos, estas palavras possuem o mesmo sentido. Aquele que possuir esta visão não é meu discípulo, não é um puro praticante do caminho. Se ele se envolve com o nascimento e morte rompendo com o nominal, este nascimento e morte refuta os cinco agregados. Ou ainda, o nascimento como a condição da velhice e da morte se constitui como o caminho do meio. Devemos então saber que se ensina a inexistência do nascimento e da morte a partir da verdade última e que é em função da verdade mundana que se ensina que o nascimento é a condição da velhice e da morte. Ou ainda, seria um equívoco a respeito do pote dizer que ele não existe em função da verdade última, seria um equívoco dizer que dharmas como a forma não existem por serem vazios em sua relação com a verdade última. Ou ainda se ensina nos Sutras: se os dharmas forem um erro e uma ilusão, se eles não forem um erro eles serão uma existência efetiva. Como todos os dharmas condicionados estão sujeitos á mudança, eles são um erro, como são um erro são ilusórios, como são ilusórios eles não se constituem como uma existência efetiva.

Conforme é dito nos versos:

“A existência mundana parece possuir uma característica definida em sua falsidade,

Em sua verdade a visão do nada assemelha-se á existência,

Caso contemplada a fundo revela-se como o nada em sua totalidade.”

Devemos então saber que os agregados são vazios. Ou ainda, como implica na visão da Verdade da extinção se ensina que se trata da realização do caminho. Em função disto o conhecimento da extinção é a verdade suprema não consistindo nos agregados. Se os agregados fossem existências efetivas as formações volitivas deveriam ser vistas como realização do caminho, mas este não é o caso. Em função disto, sabemos que os cinco agregados não se constituem como uma existência suprema. Ou ainda, a existência suprema consiste na extinção dos agregados. Assim sendo, sabemos que os agregados não são uma existência efetiva, não é possível dizer que eles existam efetivamente. O nada dos agregados é uma existência efetiva. Ou ainda, todos os dharmas enquanto objeto de uma visão se constituem na ignorância. Da mesma forma com que não existe equívoco na visão de uma pessoa, não é possível ver a uma miragem. Desta forma, se não existisse a ignorância não seria possível a visão dos agregados. Em função disto, os agregados não se constituem como uma existência suprema. Ou ainda se ensina nos Sutras: o movimento existe em função da existência do ãtman, existindo um ãtman em meio aos agregados. Da forma como é ensinada por Ananda, em função dos dharmas surge o ãtman, é em função dos agregados desde a forma até a consciência que isto pode ser dito. Ou ainda, os Veneráveis interrogam a um Bhikku: a que você está se referindo quando fala de um ãtman? O Bhikku responde: eu não ensino que a forma é um ãtman, eu não ensino que existe um ãtman separado da forma, e é da mesma maneira no que diz respeito á consciência. Existe apenas uma arrogância do ãtman em meio aos agregados que ainda não foi extirpada. Como o sentido deste Sutra implica em que no momento em que os praticantes estão com a mente dispersa e confusa surge a arrogância do ãtman. Caso esta mente esteja focada na visão da extinção dos cinco agregados, é extinta esta arrogância do ãtman. É da mesma forma que uma flor, são apenas as raízes, as pétalas e as folhas que constituem uma flor, não existe uma flor separada destes fatores. Da mesma maneira, fatores como a forma não se constituem como um ãtman, não existindo ainda um ãtman separado de fatores como a forma. São estas as causas e condições da extinção do conceito de ãtman. Ou seja, em função disto deixa de surgir a arrogância do ãtman. Em função disto, podemos saber que os agregados também são vazios. Ou ainda, o praticante deve extinguir a todas as características, realizando a sua ausência. Caso as características se constituam como uma existência efetiva, de que forma podem ser não pensadas? No momento em que se separam da forma, os caminhos externos afirmam que a forma existe de maneira efetiva, afirmando que ela é apenas esquecida. O praticante ao contemplar a extinção de agregados como a forma descrevem a sua extinção, a isto se chama o adentrar na não característica. Em função disto, podemos saber que fatores como a forma não se constituem como a Verdade última. Ou ainda, a mente do ãtman surge em função dos cinco agregados, devemos então saber que em função da inexistência dos cinco agregados ocorre a extinção da mente do ãtman, em função disto os agregados são vazios. Ou ainda, o Buddha afirma no Sutra do divisor de águas: se uma pessoa contemplar um divisor de águas, ela sabe que não se trata de uma existência efetiva, e é da mesma forma no que se refere aos Bhikkus. Ou ainda, se ela discernir a forma em meio aos agregados, ela sabe que eles estão sujeitos á decomposição de suas características. A sensação é como o vapor, a identificação como um cavalo selvagem, as formações como uma bolha e a consciência como uma miragem. Ou ainda é como segue, as cinco metáforas apontam todas para o sentido do vazio. Por que razão? A visão enxerga o vapor, ao desaparecer ela retorna ao nada. E é da mesma forma no que diz respeito ao vapor. Em função disto, sabemos que os agregados não são uma existência efetiva. Ou ainda, se um discípulo do Buddha sentir uma profunda aversão pelo nascimento e morte, ele pode ver que os dharmas não são nascidos em sua origem por não possuírem atributos próprios. Se eles realizarem a visão da impermanência eles fazem surgir a visão da decomposição das características. Se ocorrer a visão da não natureza, não existe uma outra característica. Ou seja, realizam aqui a insatisfatoriedade da atividade. A realização das três formas da insatisfatoriedade é chamada de emancipação. Devemos saber assim que todos os dharmas são vazios. Ou ainda, o vazio se constitui como o portal da emancipação. Este vazio não se limita ao vazio dos seres sensíveis, ele também implica no vazio dos dharmas. Da mesma forma com que ocorre com o nada no momento do surgimento da visão, também nada existe em sua extinção. Ou seja, podemos saber que a visão passada e futura também é vazia. A visão presente também é vazia em função do discernimento dos quatro elementos. É da forma com que o Buddha ensinou a respeito da visão, a terra é chamada de solidez em meio á carne. Se este vazio for realizado, não existem propriedades. Ou ainda ensina, como todas as formações estão sujeitas á extinção, se diz que elas possuem a natureza da extinção, em função da separação possuem a natureza da separação, em função da extinção, possuem a natureza da extinção. Sabemos em função disto que todas as formações possuem a natureza da extinção. A extinção é ainda chamada de nada. Devemos saber então em todos os sentidos que as formações possuem a natureza do nada. Estas formações existem apenas em função da verdade mundana.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Sãtya-siddhi-shãstra - Capítulo 152- A respeito da verdade mundana.

 

Sãtya-siddhi-shãstra

Capítulo 152- A respeito da verdade mundana.


Resposta: por diversas razões você afirma que todos os dharmas são vazios, mas este sentido está incorreto. Por que razão? Conforme foi dito anteriormente, se tudo for inexistente então esta teoria também é inexistente. Ou ainda, esta asserção não se refere á existência dos dharmas. Desta forma, sua refutação através do vazio não possui um caráter conclusivo. Em função disto, a afirmação do vazio não implica na inexistência dos dharmas. Ou ainda, sua asserção a respeito da inexistência das bases e dos objetos não consiste naquilo que é por nós esclarecido. Por que razão? Os Sutras budistas se referem diretamente a isto através dos cinco inconcebíveis. Os inconcebíveis da existência mundana, dos seres sensíveis, das causas e condições cármicas, das pessoas absortas em meditação e dos Buddhas. Estes fatores não podem ser conhecidos através do discernimento dos Sábios, apenas os Buddhas possuem a capacidade de discernir e conhecer a estes dharmas. Os Sravakas (ouvintes) e os Pratiekka Buddhas (Buddhas solitários) possuem apenas a sabedoria que conduz á realização do Nirvana. Eles realizam apenas uma pequena parte da sabedoria do discernimento dos dharmas. Os Buddhas conhecem todas as modalidades dos dharmas em sua origem e fim, e em sua natureza tanto comum quanto não comum. Estas são todas sabedorias em que é difícil se estabelecer, que são facilmente perdidas e de difícil realização. A sabedoria do vazio é uma modalidade de fácil realização, a sabedoria que discerne a todos os dharmas é de difícil realização.

Pergunta: as características dos dharmas realizadas pelo Buddha em seu assento devem corresponder a isto.

Resposta: mesmo que o Buddha ensine a todos os dharmas, ele não os ensina em todas as suas modalidades na medida em que estas não são conducentes á realização. Da mesma forma com que o Buddha ensina que todos os dharmas surgem através de causas e condições, isto não implica que ele ensine detalhadamente a cada uma de suas modalidades, ele ensina apenas aquelas que dizem respeito á extinção do sofrimento. Ele não ensina de forma detalhada a respeito das nuances das cores e dos sons, das inumeráveis distinções entre os
cheiros e os sabores. Como mesmo que sejam ensinados eles não tem relação com o benefício supramundano, ele não ensina estes aspectos. Ou ainda, ele não instrui as pessoas a respeito dos detalhes dos dharmas. E é da mesma forma a seu respeito, não existe necessidade de ensinar a este respeito. Esta necessidade aplica-se aos Sábios e não aos ignorantes. É da mesma forma com que uma pessoa com a visão impedida não pode falar a respeito do branco e do preto, como ela não os pode ver, não pode falar a seu respeito. Isto diz respeito a todas as formas. Podemos dizer que os dharmas não existem por não possuirmos as condições de conhece-los. Devemos assim confiar nos Buddhas venerados pelo mundo que conhecem a todos estes fatores. Como o Buddha ensinou a existência dos cinco agregados podemos saber que existem dharmas como a forma. Eles existem através da verdade mundana da mesma forma que um pote.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo 151 - A refutação da causalidade

 

Sãtya-siddhi-shãstra

Capítulo 151- A refutação da causalidade.

O defensor do ponto de vista do nada afirma: caso exista o fruto ele deve surgir tendo uma característica (Guna) prévia ao seu surgimento. Se formos supor o surgimento sem a existência prévia desta característica (Guna) existem dois equívocos. É da mesma forma com que não pode existir o som entre duas mãos antes delas se tocarem, ou que é impossível o surgimento do vinho sem os materiais que o constituem ou que possa surgir uma roda a partir de um lugar prévio aonde não exista uma roda. Assim sendo, o surgimento do fruto pressupõe a existência prévia da característica (Guna), o fruto não pode surgir sem esta característica. (Guna) Ou seja, é como o surgimento das bases do vento sem sua forma, é preciso que exista aí a forma. Isto seria como a existência de odor em um diamante. Ou ainda é possível constatar que a palha branca produz uma esteira branca, ou que a palha negra produz esteiras negras. Caso fosse possível o surgimento de um fruto sem pressupor uma característica (Guna) como sua causa, como poderiam palhas brancas produzir esteiras brancas ou palhas negras produzir esteiras negras? Em função disto, não é possível o surgimento de um fruto que não pressuponha uma característica (Guna) que lhe seja prévia. Logicamente falando, estas posições se constituem como duas modalidades de engano. Em função disto, não existe o fruto. Ou ainda, se o fruto já existir em meio á causa, de que forma poderá ele voltar a surgir? Se não puder ocorrer o surgimento do nada, como poderá o nada surgir?

Pergunta: caso o pote seja constituído na visão presente, como pode o pote não existir?

Resposta: se este pote não for constituído de forma prévia, como poderá ocorrer esta construção? É em função de sua não existência. Caso ele seja constituído de forma prévia, como é possível falar em constituição? Isto se dá em função de sua existência.

Pergunta: o momento da construção é chamado de construção.

Resposta: não existe o momento da construção. Por que razão? Aquilo que se constitui como o material da construção já existe em seu interior. Em função disto, tudo se dá como o momento da construção. Ou ainda, caso exista a constituição de um pote, ela tem que ocorrer ou no passado, no futuro ou no presente. Ele não foi construído no passado porque este já está extinto. Ele não pode ser construído no futuro porque este ainda não existe. Não pode ser construído no presente por já ter sido constituído como uma existência. A existência se dá em função de uma construção e pressupõe sua atividade. Neste contexto, a construção é incognoscível. Por que razão? Como partes do corpo como a cabeça não desempenham papel na construção, não existe um construtor. Como não existe um construtor, não existe a atividade da construção. Ou ainda, não importa se a causa é anterior, posterior ou simultânea ao fruto, esta tese é inconsistente. Por que razão? Caso a causa seja anterior ao fruto, ela já está extinta: de que forma poderia surgir o fruto? Seria como um filho nascendo sem o seu pai. Caso a causa seja posterior e o fruto anterior, como seria possível o surgimento sem causa? Como a própria causa não teria surgido, como poderia surgir o fruto? Seria como o nascimento de um filho anterior ao pai. Caso a causalidade se dê de uma forma simultânea, isto não seria lógico. Seria como o surgimento simultâneo de dois ângulos. (Chifres?) Não seria possível falar em causas como as já discutidas. Estas três alternativas são extremamente ilógicas. Em função disto, não existe o fruto. Ou ainda existe um erro nesta relação entre causa e fruto seja ela pensada em função de um ou de dois fatores. Por que razão? Caso eles fossem distintos deveria existir a esteira separada da palha, caso fossem idênticos não existiria distinção entre a esteira e a palha. Ou ainda, deveria existir um dharma mundano da causalidade sem distinções. Ou ainda, caso exista um fruto cuja causalidade de dê a partir de si mesmo, do outro, da conexão entre o si e o outro ou sem causa isto seria irracional. Por que razão? Um dharma não pode exercer sua função a partir de si mesmo, caso ele possua identidade ele poderia atuar por si mesmo. Ou ainda, como sua atividade não seria visível, ele não poderia atuar por si mesmo. Por que razão? Não existe nenhuma intenção no surgimento da consciência visual. Assim sendo, não existe a produção através de outro. Ou ainda, como não existe a atividade conjunta, os dharmas não possuem efetividade. A semente não tem intenção alguma em produzir o fruto, da mesma forma, a consciência visual não possui esta intenção. As consciências devem surgir de forma simultânea. Em função disto, não existe intenção nos dharmas. A causa conjunta também não possui consistência porque existem os erros da auto produção e da produção pelo outro. A produção sem causa também é irracional. Caso não existisse a causa não existiria aquele que é chamado de fruto. Se inexistem todas estas quatro modalidades, como pode existir o fruto? Se formos ensinar a existência, devemos a elas nos referir. Ou ainda, caso exista previamente a atividade da mente ou da não mente, caso se trate da atividade mental, de quem seriam as atividades mentais de um feto no útero, elas não poderiam ser exercidas pelos Devas. Conforme foi dito anteriormente a respeito do carma e da ausência de intenção (mente?), é em função da atividade deste carma que existem o passado e a atividade mental. Em função disto, o carma também não é mental. Caso a atividade mental não exista no presente, como seria possível fazer os outros sofrerem ou lhes proporcionar alegria? A ação presente do carma teria por sua exigência a atividade mental. Ela teria que ser efetivada desta forma e não de outra. Caso não existisse a intenção mental, como poderia ela existir? Assim sendo, a existência prévia da intenção ou da não intenção é irracional. Todas estas raízes são incognoscíveis. Em função disto, não existem os dharmas.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo 150- a refutação da consciência.

 


Sãtya-siddhi-shãstra

Capítulo 150- A refutação da consciência.


A consciência também não possui a capacidade de captar aos dharmas. Por que razão? A consciência é incapaz de captar a forma presente do olfato, do sabor e do contato, conforme já foi dito anteriormente, o passado e o futuro são inexistentes. Em função disto, a consciência não possui a capacidade de captar fatores como a forma.

Pergunta: caso a consciência não seja capaz de captar e conhecer dharmas como a forma, ela deveria ser capaz de conhecer a si mesma.

Resposta: os dharmas não são capazes de conhecer a si mesmos, da mesma forma com que uma espada não é capaz de cortar a si mesma. Isto ocorre porque os dharmas passados e futuros são inexistentes. Ou ainda, por não existirem outras mentes. Em função disto, a consciência não possui a capacidade de conhecer a si mesma.

Pergunta: as pessoas devem ser capazes de conhecer os dharmas da mente no momento em que conhecem outras mentes.

Resposta: da mesma forma com que ela não é capaz de conhecer a si mesma, ainda é possível dizer a partir deste ponto de vista: aquilo que se aplica á sua própria mente deve se dar da mesma forma na relação com outras mentes. Ou ainda, os dharmas futuros não são capazes de fazer surgir o conhecimento das outras mentes. Caso seja desta forma, que equívoco poderá surgir? Ou ainda, existem muitos equívocos ao afirmar que a mente tem aos dharmas como o seu objeto. A intenção pode se direcionar para os objetos, mas a consciência pode se mostrar incapaz de os captar. Ela não deve ser capaz de captar objetos como a forma. É em função deste equívoco que podemos afirmar que a consciência é incapaz de captar aos dharmas.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

sexta-feira, 8 de julho de 2022

O Budismo, O Pensamento Chinês e o Mundo Contemporâneo

 





"Existem duas questões profundamente interligadas que chamam nossa atenção e que conduzem à reflexão no mundo contemporâneo: a primeira delas é o impacto avassalador da tecnologia da informática na constituição do mundo histórico contemporâneo, o segundo é a emergência da China enquanto uma renovada perspectiva na filosofia, na ética e na política. Torna-se assim fundamental neste contexto uma tentativa de compreensão da perspectiva chinesa no campo da informática. Neste contexto chama profundamente a atenção o processo de renascimento do pensamento tradicional atualmente em curso na China, e, em particular, do pensamento budista. Existem três aspectos fundamentais nesta relação entre o Budismo e o pensamento chinês. O primeiro deles é que a transmissão do Budismo na China representa sua presença inicial em meio à uma civilização plenamente consolidada a partir de suas próprias bases, a segunda é que a filosofia budista instaura uma dialética sem síntese em meio ao pensamento chinês tradicional e a terceira é que esta transmissão do Budismo constitui um primeiro precedente que pode ajudar profundamente a elucidar a relação entre a China e a ciência e a tecnologia de origem ocidental. A existência de perspectivas filosóficas na China atual que defendem a necessidade de uma diversidade de tecnologias formuladas a partir de diferentes cosmologias (Yuk Hui) pode contribuir de forma profunda para a constituição de uma renovada modalidade de tecnologia informática e de redes sociais no Brasil e na América Latina, apontando para a superação do imperialismo tecnológico implantado através da assim chamada "mundialização da técnica ocidental"."

Joaquim Monteiro


Cronograma das aulas:


1) Introdução

2) O Budismo, a filosofia chinesa e as questões contemporâneas.

3) O Budismo das traduções de Kumarajiva.

4) A "ignorância" no Satya-siddhi-sastra.

5) Aula especial (Emily Walsh )

6) O Budismo das traduções de Xuan Zhang.

7) O "apego inerente" e o "carma coletivo" na escola Yogacara.

8) O "carma coletivo" e a tendência auto destrutiva no AbhidharmaKosa.

9) Debate com a participação da Emily Walsh e monge Seikaku (Celso Marques)

10) 
Esboço de conclusão e um renovado questionamento.


Bibliografia:

- Anne Cheng, "História do pensamento chinês", Editora Vozes, 1997.

- Bryan W. Van Norden, "Introdução à filosofia chinesa", Editora Vozes, 2018.

- Dao de Jing Laozi- tradução do original chinês e organização, Mario Bruno Sproviero, Professor de língua e literatura chinesa da Universidade de São Paulo, Hedra, São Paulo, 2002.

- Laozi-Dao de jing o livro do Tao- tradução Chiu Yi Chih, Mantra, 2017.

- Zeljko Loparic (org), "A escola de Kyoto e o perigo da técnica", Dww editorial, 2009.

"Não sou meu cérebro- filosofia do espírito para o século XXI", Markus Gabriel, Editora Vozes, 2018.

- "Porquê o mundo não existe", Markus Gabriel, Editora Vozes, 2015.

- Miguel Nicolelis, "O verdadeiro criador de tudo-como o cérebro humano esculpiu o mundo como nós o conhecemos", Crítica, 2020.

- "Modernidade e tradição na China hoje", Antonio Florentino Neto (org), editora Phi, 2021.

"Como ler a filosofia da mente", João de Fernandes Teixeira, Paulus, 2008.

- "Inteligência artificial", João de Fernandes Teixeira, Paulus, 2009.

- "Filosofia do cérebro", 
João de Fernandes Teixeira, Paulus, 2012.

- "Discovering China: european interpretations in the enlightment", edited by Julia Ching and Willard Oxtoby, University of Rochester Press, 1992.

- Yuk Hui, "Tecnodiversidade", Ubu editora, 2020.

- "As bases filosóficas do Budismo chinês", editora Phi, 2020.

- "O Budismo Yogacara: uma introdução", editora UFPB, 2015.

Como: Serão 10 encontros on-line utilizando a plataforma ZOOM.

Quando: De 15 de agosto  a  24 de outubro de 2022.

Contribuição flexível: a partir de R$ 240,00 até R$ 300,00 para quem quiser contribuir com um valor acima do valor mínimo.

Inscrições passo a passo:

- Fazer pagamento, via depósito bancário, Banco Banrisul, agência 0032, Conta 39.069426.0-7 (conta POUPANÇA), Código do Banco para TED:041 - Dados: José Celso Aquino Marques, CPF 500.158.508-20,

- ou PIX, chave de acesso: institutozenmaitreya@gmail.com,

em nome de José Celso Aquino Marques.

- Enviar o comprovante para o e-mail: institutozenmaitreya@gmail.com.

- Informando seu nome completo, cidade, Estado e um contato de celular.
   
Para poder assistir as aulas gravadas, via Youtube, precisamos que nos envie, por gentileza, um endereço de e-mail do Gmail.

- Aguardar a confirmação do recebimento do seu comprovante e confirmação de sua inscrição por email.

Observação: Os inscritos receberão um link para o acesso às aulas on-line, por email e via grupo no whatsapp. 

MESES

DIAS

DIAS

DIAS

DIAS

AGOSTO

15

22

29

SETEMBRO

05

12

19

26

OUTUBRO

03

10

17


Horário: Todas as segundas-feiras das 19h30 às 21h. 

As aulas serão gravadas e caso a pessoa não consiga assistir ao vivo, poderá assistir a gravação em outro horário. As perguntas ao professor poderão ser feitas via Whatsapp e por email.


Ministrante: Professor Doutor Joaquim Monteiro


Currículo: Joaquim Antônio Bernardes Carneiro Monteiro possui graduação em psicologia pela Universidade Santa Úrsula.RJ (1983), Mestrado em Budismo chinês pela Universidade de Komazawa, Tóquio, Japão (1997) e Doutorado em Budismo chinês pela mesma Universidade. (2001). Foi pesquisador do Instituto de estudos da cultura budista da Universidade Doho, Nagoya (1988-2003), Ensinou no Departamento de estudos budistas da Universidade de Komazawa (2001-2003), lecionou língua japonesa no Departamento de japonês da Universidade I-Show, Kaohsiung, Taiwan (2003-2005) e foi bolsista da Capes e Professor visitante na Coordenação de Pós-graduação em ciências das religiões da Universidade Federal da Paraíba, UFPB. (2013-2017). Dedica-se atualmente à tradução da literatura do Abhidharma Sarvãstivãda preservada em Mandarim e de obras da filosofia japonesa moderna e contemporânea.












quarta-feira, 6 de julho de 2022

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo 149 - A refutação do olfato, do sabor e do contato.


 Sãtya-siddhi-shãstra


Capítulo 149 - A refutação do olfato, do sabor e do contato.


Os odores não podem ser captados. Por que razão? A consciência olfativa não consegue distinguir entre a visão, o olfato e os odores. A consciência não é capaz de efetuar a audição de um odor. Em função disto, a consciência não consegue distinguir entre a visão e o olfato.

Pergunta: mesmo que ela não possa fazer uma distinção entre a visão e o odor, ela pode captar o odor ?

Resposta: não é desta forma. É como uma pessoa que não capta a visão de uma árvore e que faz surgir a consciência cognitiva da árvore em função da ignorância. Ela não consegue captar a essência do olfato. É em função da ignorância que ela faz surgir uma mente olfativa. Ou ainda, conforme foi dito anteriormente, existe um equívoco a respeito da captação ou não do odor. Por causa disto, ocorre da mesma forma a captação do odor e do paladar, o contato também é inexistente. Por que razão? Não é possível fazer surgir um conhecimento do contato através de seus objetos. É da mesma forma com que foi elucidado anteriormente. Em função disto, não existe o contato.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo 148- A refutação da audição.

 

Sãtya-siddhi-shãstra


Capítulo 148- a refutação da audição.


O proponente do ponto de vista do nada afirma: cada palavra é completamente nula. Por que razão? Da mesma forma com que a mente se extingue a cada instante de consciência, o som também se extingue a cada instante. É como pronunciar a palavra Purusha: esta palavra não pode ser ouvida. Por que razão? No momento em que ouve pu a consciência não ouve ru, no momento em que ela ouve ru, ela não ouve sha. Uma única consciência não possui a capacidade de captar a estes três sons. Em função disto, a consciência não é capaz de captar uma palavra. Em função disto, podemos saber que um som não pode ser ouvido. Ou ainda, uma mente dispersa pode ouvir um som, uma mente absorta em meditação não pode ouvir. O conhecimento derivado de uma mente em meditação é verdadeiro, em função disto o som não pode ser ouvido. Ou ainda, não importa se um som pode ou não ser captado, ele não pode ser ouvido. Como ele não pode ser ouvido, não existe audição. Ou ainda existe quem afirme que o ouvido possui uma natureza vazia. Assim sendo, não existe ouvido, não existindo ouvido não existe audição. Ou ainda, não existem causas e condições na audição. Em função disto, não existe a audição. Existe apenas a correlação entre os elementos, e esta relação é incognoscível. Por que razão? Se a natureza dos dharmas for distinta, como poderá se estabelecer sua correlação? Se ela se situar em um local, este local também estará sujeito á extinção instantânea. Assim sendo, a correlação é incognoscível.

Traduzido por: Prof. Dor. Joaquim Monteiro

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo147- A afirmação do nada.



Sãtya-siddhi-shãstra

Capítulo147- A afirmação do nada.

O defensor do ponto de vista do nada afirma: você procura refutar o nada através do discurso, mas os dharmas são inexistentes por serem as bases e os objetos impossíveis de serem captados. Por que razão? Não existem características passíveis de serem captadas nos dharmas. Em função disto, todos os dharmas são incognoscíveis. Como são incognoscíveis se constituem como o nada. Você afirma que existem aspectos que podem ser conhecidos e outros que não, mas isto é claramente uma inconsistência. A mente não pode surgir a partir destes aspectos. Por que razão? Objetos como um veado ou um pote podem ser conhecidos, eles não consistem em partes. Por que razão? Caso existam partes nos será possível falar delas, caso elas não existam nada poderemos falar. Ou ainda, como as características não possuem partes, não é possível delas falar. Em função disto, não existem partes. Ou ainda, se for possível a visão detalhada de um pote, deveria surgir constantemente a mente a ela referente e não a mente de um pote. Por que razão? Se a mente estivesse constantemente focada como a
mente de um pote, não deveria surgir esta mente de um pote. Ou ainda, caso exista inicialmente a memória do pote e a mente do pote surgisse posteriormente, a mente do pote teria que surgir por um longo período. No entanto, como este período não é verdadeiramente longo, ele não pode tornar-se em um objeto de atenção. Ou ainda, se ao ver um pote não surgir a mente que o discerne, surge apenas a visão do pote e não a das suas partes. Por que razão? Os potes teriam que ser considerados no processo de sua decomposição e em seus elementos constituintes. Se um aspecto fosse refutado, ocorreria o retorno ao nada. Ou ainda,
como todos os dharmas fazem surgir a sabedoria do vazio em seu aspecto último, em função disto, estas partes não existem na Verdade Última. Ou ainda, se as partes forem enumeradas, será vedada a Verdade Última. Por que razão? Se uma pessoa ensinar que não existem as partes, mas apenas a totalidade, não existirão as visões da extinção e dos diversos carmas no passado e no futuro. Caso seja desta forma, não existirá a Verdade mundana. Se você faz do vazio a Verdade Última, não existirão partes em meio á Verdade Última. Em função disto, não poderá ocorrer a penetração da Verdade Última a partir destas partes. O não penetrar na Verdade última é o nada. Ou ainda, se os dharmas pudessem se tornar no passado, isto significa que eles são o nada. Em função das partes terem se tornado passado, as partes posteriores são extintas surgindo novas. Como são sujeitas á extinção, não existe como discutir a respeito delas. Ou ainda, dharmas como a forma são inexistentes. Por que razão? Os olhos não podem ver as partes mais detalhadas e sutis, a mente não pode captar a forma presente.

Em função disto, a forma não pode ser captada. Ou ainda, a consciência visual não pode captar a forma. A consciência reside no passado não podendo captar a forma. Em função disto, não existe o discernimento da forma. Como não existe o seu discernimento, a forma não pode ser captada. Ou ainda, a consciência inicial não pode discernir a forma e a consciência subsequente também não o pode. Assim sendo, não existe o discernimento da forma.

Pergunta: em função da consciência visual surge esta consciência, em função disto surge a memória ?

Resposta: não é assim. Por que razão? Todas as consciências posteriores surgem da consciência visual e é em função disto que elas possuem memória. Ou ainda, elas não deveriam estar sujeitas ao esquecimento. Como elas surgem a partir daí, isto não possui consistência. Em função disto, a consciência mental também não possui memória. Ela é como uma falsa memória. É um erro dizer que ela é capaz de captar coisas como a forma de um pote, isto seria uma proposição falsa. Esta captação não existe. Em função disto, tudo isto é inexistente. Ou ainda, se formos afirmar que a consciência visual pode alcançar a visão da forma, isto não é possível. Caso isto ocorra não se trata da consciência visual. Já foi explanado
anteriormente que não existe uma característica errônea na visão. Se a visão não for alcançada e se tornar possível a visão da forma, teria que ocorrer a visão simultânea da forma em todos os seus aspectos, mas isto não ocorre. Em função disto, podemos dizer que não é possível a visão da forma.

Pergunta: a forma pode ser vista através da esfera da consciência visual ?

Resposta: se a visão mesmo não sendo alcançada for chamada de esfera visual, todas as formas teriam que ser incluídas nesta esfera. Em função disto, não existe este alcance. Não ocorre esta visão em seu conjunto. Em função disto, não existe um conhecimento da forma através da consciência visual. Ou ainda, caso a forma visual existisse anteriormente e a consciência visual surgisse posteriormente, esta consciência visual não se apoiaria em nada e não teria objeto. Caso em um momento as causas e condições do surgimento da consciência não fossem chamadas de consciência visual, este momento não teria uma característica por sua causa. Ou ainda, se o olho consistir nos quatro elementos que tornam possível a visão, fatores como o ouvido não poderiam ser vistos por serem idênticos a estes quatro elementos.

É da mesma maneira no que diz respeito á forma. Ou ainda, se o objeto ou a inexistência do objeto na consciência visual aparecer conjuntamente isto já será passado. Por que razão? Se a consciência visual se der através da visão, ela possui um local. Caso não exista este local ela não terá apoio, se você defende que a consciência surge a partir das partes, isto só fará surgirem objetos parciais, se isto for geral, poderá surgir uma mesma consciência como algo que exige um objeto. Aquilo que possui um local possui partes. Se as diversas consciências
surgirem em função de uma única consciência, existe aí claramente um erro. Ou ainda, poderia se tornar possível o surgimento simultâneo de diversas consciências. Ou ainda, cada consciência conheceria uma parte, não podendo existir partes em cada consciência. Não existe aí uma parte passível de ser conhecida. Tudo isto se constitui em equívocos. A ausência de um apoio implica na ausência de uma base visual.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Sãtya - Capítulo 146 - A refutação do nada.



Sãtya-siddhi-shãstra

Capítulo 146-  A refutação do nada.

Pergunta: que equívoco existe na teoria do nada?

Resposta: o nada implica na negação de dharmas como a retribuição cármica e a compreensão dos fatores do caminho. Ou ainda, ele implica em um apego ao nada na medida em que não existe nem aquele que ensina nem aquele que ouve. Ou ainda, todas as teorias do ser e do nada se baseiam em uma confiança. Elas podem implicar na confiança na percepção, na inferência ou na concordância com o testemunho do texto de um Sutra. Caso ensine que não existe nada real esta asserção não terá concordância com nenhum destes três meios do conhecimento. Seu sentido pode basear-se em um Sutra, mas isto não possui consistência. O
sentido dos textos dos Sutras é ainda de difícil compreensão, em um momento ele pode pregar a existência, em outro momento ele pode pregar a não existência. Assim sendo, como é possível neles confiar? Caso se acredite na inferência, é preciso que exista primeiro uma percepção a partir da qual a inferência possa se estabelecer. Ou ainda, um existente como um pote pode existir ainda como uma percepção presente na medida em que faz surgir um instante de cognição mental. Na medida em que faz surgir um instante de consciência cognitiva existe aí uma inferência que não pode ser um nada. Existem distinções no momento presente como aquelas que se dão entre potes e garrafas, caso sejam todos inexistentes, como podem se estabelecer estas distinções? Caso você diga que as distinções existem em função de uma falsa identificação, como pode ser possível discernir objetos como um pote em meio ao espaço? Ou ainda, caso você afirme que a mente associada aos objetos existe em função da ignorância, se tudo se constituir como um nada, a ignorância também será um nada: de que forma poderá ela surgir? Ou ainda, sua intenção implica em afirmar que todos os dharmas são
inexistentes, mas através de quais objetos surgirá este conhecimento? Os conhecimentos não surgem sem objetos, o conhecimento é assim chamado por conhecer objetos. Não nos é possível dizer que este conhecimento seja inexistente. Ou ainda, se tudo fosse não existente, deveriam todos basear-se em suas opiniões. Como as pessoas saudáveis praticam dharmas como a generosidade, os preceitos e a paciência, elas se distanciam dos dharmas não
saudáveis. Assim sendo, o conhecimento não é um nada. Ou ainda, objetos como um pote podem ser conhecidos no presente, se você afirmar que nada existe no presente, não existirão objetos. Ou ainda, não será possível a confiança nos Sutras. No entanto, em função de que fatores é possível dizer que nada existe? Para que um esclarecimento de que nada existe possa se tornar possível, caso não seja possível uma explicação através de causas e condições, os apegos dos outros se cristalizarão naturalmente. Como procedem as teorias dos outros, é
refutada sua posição. Caso algo exista em função de causas e condições este algo não pode ser um nada.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Sãtya - Capítulo 144: a refutação da diferença



Sãtya-siddhi-shãstra

Capítulo 144: a refutação da diferença.

Pergunta: que equívoco existe na teoria da diferença?

Resposta: novamente, não existe uma terra separada de dharmas como a forma. Como podemos saber disto? Não é possível o surgimento de uma mente da terra separada da forma, do olfato, do sabor e do contato. A mente surge apenas em sua relação com dharmas como a forma. Por que razão? Seria como o surgimento de um som distinto da forma e que não esperasse pelo surgimento do som. Se a terra existisse independentemente de fatores como a forma, ainda deveria ser possível o surgimento da terra sem esperar pela forma. Mas na verdade eles não podem deixar de esperar. Em função disto, a terra não pode existir como uma entidade separada.

Pergunta: não existe isto de não esperar pelos demais dharmas. A mente da forma surge esperando pelas características da forma.

Resposta: isto já foi explanado no Capitulo sobre o desfazer das características do genérico.

(Capítulo inexistente) Não existe uma característica da forma distinta da própria forma. Em função disto, esta asserção é improcedente. Ou ainda, dharmas como a terra diferem daquilo que pode ser conhecido por não possuírem raízes. Em função disto, podemos saber que não existe a terra como um fator distinto.

Pergunta: fatores como a terra podem ser captados através de duas bases: a base táctil e a base visual podem conhece-la. A base visual pode saber se se trata de um pote, através do contato táctil também é possível saber que se trata de um pote. Em função disto, é inconsistente sua asserção de que não existem bases capazes de captar a terra.

Resposta: se fosse desta forma, na captação de um pote através de quatro bases seria a mesma coisa cheirar a lama com o nariz e lambe-la com a língua.

Pergunta: a base olfativa e a base gustativa não podem captar o pote. Por que razão? Não é possível discernir em meio á escuridão. Podemos cheirar a um pote ou a uma garrafa, ou lamber um pote ou uma garrafa.

Resposta: mesmo que não seja possível distinguir um pote de uma garrafa, é possível suscitar o conhecimento da lama ao lamber ou a cheirar a lama. Ou ainda, é como lamber um pote enterrado, você não tem como saber que sabor ele possui, ou ainda como saber se um objeto é um pote ou algum outro apenas através da visão ou do olfato. Em função disto podemos saber que as bases da visão e do corpo não são capazes de captar a um pote. Ou ainda, as bases do olfato e do paladar podem captar as características de flores, frutos, leite ou coalhada, mas as bases do tato e da visão não podem faze-lo. Mesmo que se diga que podemos ver objetos como as flores, não podemos discernir seu cheiro, seu sabor, sua beleza
ou feiura. Em função disto, caso as bases visuais ou tácteis tentarem conhecer as
características, as bases olfativas e gustativas não serão capazes de o fazer. É da mesma forma com que estas bases gustativas e olfativas não podem captar algo distinto das características sem que ainda tenha aparecido o discernimento. Ou ainda, não é possível ocorrer a captação do conhecimento do nominal através das cinco bases. Em função disto, o nominal não pode ser captado através das bases visuais, tácteis, olfativas ou gustativas. É somente o conhecimento derivado da sexta consciência que pode conhecer o nominal. Por que razão?
Porque esta consciência pode ter a todos os dharmas como o seu objeto. Ou ainda, a base visual tem a capacidade de ver a forma, mas não é capaz de ver a não forma. Caso pudesse, ela deveria captar os sons. Caso fosse desta forma, ela deveria atuar como a base auditiva, mas este não é o caso. Em função disto, as bases visuais e tácteis não podem captar as características.

Pergunta: a compreensão das características através da forma pode conhecer estas mesmas características. Ou seja, a visão possui a capacidade de ver, tudo aquilo que difere dos dharmas da forma pode ser por ela visto.

Resposta: não é possível compreender um pote através da forma. Por que razão? Aquele que fez o pote limita-se apenas a uma combinação de formas. Em função disto, um pote não está incluído no conhecimento da forma. Ou ainda, a tentativa de compreender os demais dharmas através dos dharmas visíveis deveria conduzir a esta visão, mas não é possível compreender os dharmas visíveis através de um pote. A forma não seria visível neste caso. Ou ainda, neste caso
deveriam existir duas modalidades de potes: aqueles que são claramente visíveis e aqueles que não são claramente visíveis. Sua visibilidade ou não visibilidade dependeria da modalidade de compreensão. A forma também poderia não ser visível. As características da forma não seriam cognoscíveis através da base visual. Por que razão? Você afirma que este dharma se baseia nas características da forma, as características da forma que podem ser conhecidas não são características. No entanto, as características da forma não podem ser visíveis. Esta asserção não possui consistência. Ou ainda, se formos compreender o visível através da forma, todas as bases deveriam conhecer as suas características, a base auditiva também deveria conhecer o espaço por ser ele passível de ser ouvido. Ou ainda, deveria ser possível conhecer as características do vento através de uma compreensão derivada da base táctil. No entanto, o seu ensinamento não é desta forma. Em função disto, não é possível conhecer a estes
dharmas.

Pergunta: não seria o caso de dizer que não seria possível conhecer os demais dharmas, mas apenas os dharmas da forma?

Resposta: não é desta maneira. Nestas causas e condições só está incluída a forma, não é possível uma referência aos demais dharmas. É como você se referisse a uma característica, a forma poderia ser visível neste contexto. Neste sentido, é possível captar a forma através da própria forma. A forma precisaria ser conhecida através de sua característica. Não se trataria de conhecer pura e simplesmente a forma. Esta teoria não se distancia dos equívocos das teorias anteriores. Ou ainda, um dharma mental surge em um instante distinto, em outro
instante surge a cognição do pote. Em função disto, que sentido faz compreender o pote através da forma? Ou ainda, uma pessoa de visão impedida poderia conhecer as características do pote. Mesmo perdendo a base visual ela poderia conhece-lo através do contato. Em função disto, é apenas em função da captação da forma que pode surgir o conhecimento. Ou ainda é ensinado em seu Sutra que o contato se estabeleceria através do corpo e não na terra, na água ou no fogo. Devemos saber que não é possível conhecer a característica do fogo, mas isto
também seria inconsistente. Por que razão? No momento em que uma pessoa de visão impedida conhece o fogo, ela não sabe se este contato é ou não visível. Ou ainda, no momento em que a visão conhece a quantidade dos dharmas, não existe aí um conhecimento da forma.
Não é possível ainda o olfato conhecer algo que não seja um dharma olfativo, da mesma forma com que não é possível lamber algo que não seja um dharma gustativo. Neste sentido, poderíamos saber que é possível conhecer as características, mas esta asserção é improcedente.

Pergunta: se a compreensão da forma não se deve á visão, como seria possível calcular os dharmas e não ver a característica em meio a eventos como o fogo?

Resposta: em meu ensinamento não existem dharmas separados de fatores como a forma e que possam ser visíveis. Em função disto podemos saber que é em função do discernimento dos dharmas da forma que se torna possível a visão e que é em função da visão da forma que surge o conceito de um pote. Como a forma não surge entre os dharmas, mesmo que exista a base visual não podem aparecer noções como a de pote. Assim sendo, é irracional pressupor 
um pote sem distingui-lo da forma.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

sábado, 18 de junho de 2022

Capítulo 145 da seção sobre a Verdade da extinção no Sãtya-siddhi-sãstra



Sãtya-siddhi-shãstra

Capítulo 145- a refutação da impossibilidade da expressão.

Pergunta: que erro existe na teoria que afirma a impossibilidade da expressão?

Resposta: não existe impossibilidade de expressão de dharmas efetivamente existentes entre a identidade e a diferença. Por que razão? Não é possível conhecer a impossibilidade de expressão através das causas e condições das metáforas na medida em que dharmas como a forma são uma existência efetiva. Não existe nenhuma impossibilidade de expressar estes dharmas. Ou ainda, cada dharma possui uma característica própria. Da mesma maneira com que a decomposição é uma característica do dharma da forma, ele não possui uma
característica diversa. Como seria possível dizer que este dharma é inexpressável? Ou ainda, existem as distinções dos dharmas enquanto distinções da consciência. É da mesma forma com que a consciência visual conhece as formas e não pode conhecer os sons. Em função disto, não existe a impossibilidade de expressão neste contexto. Ou ainda, a forma é delimitada na entrada da forma, ela não pode ser abarcada na entrada do som. Caso você 
pretenda afirmar a impossibilidade da expressão, deve saber que a forma pode ser expressa enquanto forma. A forma só seria impossível de ser expressa se ela fosse uma não forma, e é da mesma maneira no que diz respeito ao som. Ou ainda, os dharmas possuem uma ordem passível de ser quantificada. Se os dharmas fossem inexpressáveis, eles não poderiam ser quantificados. Por que razão? Por que não existiria uma diferença entre um primeiro e um segundo dharma. Em função disto, podemos afirmar verdadeiramente que não existe uma
impossibilidade de expressar os dharmas. Só pode ser considerado impossível de expressão aquilo que existe como uma existência nominal em meio á identidade e á diferença.

Traduzido pelo Prof. Dr. Joaquim Monteiro

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Projeto de tradução da seção sobre a Verdade da extinção no Sãtya-siddhi-sãstra.


Sãtya-143-B

Capítulo 143-  A refutação da identidade.

Pergunta: que equívocos existem nestas quatro teorias?

Resposta: o equívoco de uma delas é supor que seja possível existir o pote enquanto unidade, mesmo supondo a existência de distinções nas características de dharmas como a forma. Ou ainda, a forma não pode ser chamada de terra em cada um de seus aspectos. Como pode então sua combinação ser chamada de terra? Por que razão? Se um cavalo não pode ser uma vaca, de que forma uma combinação de cavalos poderia se constituir como uma vaca?

Pergunta: cada parte de um vegetal não pode se constituir como um vegetal independente. Desta mesma maneira, cada aspecto da terra não pode se constituir como a terra?

Resposta: não é desta forma. Por que razão? O conjunto dos vegetais se constitui como uma existência nominal. A unidade é aqui discutida em sua relação com dharmas efetivamente existentes. Como é possível empregar este exemplo? Ou ainda, a forma, o olfato, o sabor e o contato são quatro dharmas, a terra é um único dharma, estes quatro não podem se constituir como um. Se for possível fazer com que estes quatro se tornem em um, este um deve se tornar quatro: isto é impossível. Em função disto podemos saber que a forma não equivale à terra. Ou ainda, na dimensão mundana se fala na terra enquanto forma, enquanto olfato,
enquanto sabor e enquanto tato. Não se pode falar aí da terra enquanto visão do dharma da terra. Ela é apontada através das características de um dharma distinto. Isto é como uma referência a pessoas no geral.

Pergunta: isto não implica em apontar através das características de um dharma distinto. Ela indica através deste mesmo dharma. É como uma referência ás mãos e aos pés de uma pessoa de pedra. Por que razão? Não existe uma pessoa de pedra separada de seus pés e de suas mãos. É possível dizer desta maneira que se trata da terra mesmo que ela não esteja separada da forma. Ou ainda, é possível apontar a partir de suas características próprias. Que equívoco pode existir aqui?

Resposta: se formos falar da terra através da forma, esta lógica não possui consistência. Você emprega o exemplo de uma pessoa de pedra, mas este exemplo é improcedente. Por que razão? No momento em que apontamos para as mãos de uma pessoa de pedra, esta pessoa de pedra consiste na totalidade de seu corpo. Ou ainda, é possível dizer que ela existe em meio ao espaço. No momento em que nos referimos a esta pessoa de pedra, ela não implica neste
momento na totalidade de seu corpo. Se formos falar a este respeito, o Buddha dizia que existem fatores como o cabelo, a pele, o sangue e a carne em meio a este corpo, não existindo um corpo separado destes fatores. Só podemos nos basear em fatores como o cabelo. Se formos falar a partir de uma outra base, podemos saber que falar desta pessoa de pedra se constitui como um discurso equivocado. Caso você esteja se referindo á terra em função de uma pessoa de pedra, não existe aí uma terra que possa servir como referencial. Você diz que
nos Sutras se ensina que a forma, o sabor, o odor e o contato são a terra. Como esta terra não é um corpo, torna-se possível saber que a forma, o sabor, o odor e o contato não são a terra. Ou ainda, não é possível apontar para as características da forma como possuindo cheiro, só é possível dizer que a terra é um aspecto da forma. Como existem o sabor, o olfato e o contato sabemos que ela não é homogênea. Ou ainda, as mentes associadas á forma são todas distintas. Em função disto podemos saber que a forma não é a terra. Ou podemos ainda saber
que a forma possui diversos nomes distintos.

Pergunta: as diferenças entre as mentes e os nomes são todas diferenças em meio ás suas conjunções.

Resposta: se as mentes existissem apenas em conjunção com os nomes, a cognição possuiria apenas um caráter convencional. No entanto, a terra existe apenas de forma nominal, não existindo aí uma lógica. Ou ainda, a terra é conhecida através de todas as bases. Como é possível saber disto? As pessoas pensam que ao verem a terra elas tocam em seu cheiro, em seu sabor ou em seu tato. Se a forma, o olfato, o sabor e o tato fossem a terra, não seria possível surgirem os conceitos ou a visão do ãtman a partir dela. E é da mesma forma no que diz respeito ao olfato. Como o conceito de terra surge efetivamente a partir da forma, podemos saber que a forma não é a terra. Ela surge através das causas e condições das convenções linguísticas. É possível falar de seus aspectos através de convenções linguísticas.

Ao cortar uma árvore uma pessoa pode dizer que está cortando uma árvore e pode dizer que corta uma árvore ou que está cortando uma floresta. Ou ainda, como todas as características se dão em termos de causas e condições, elas não se constituem como um único ponto de vista. Ou ainda, um Bhikku de outra escola (Samkhya?) pode afirmar que as cinco características (Guna) são a terra. Isto ainda é improcedente. Por que razão? Conforme já foi ensinado anteriormente, o som se separa da forma se extinguindo e surgindo novamente em cada instante de consciência, ele não surge a partir dos quatro elementos. Em função disto podemos saber que a totalidade dos quatro elementos não se esgota no som.

Traduzido por Prof. Dr. Joaquim Monteiro

quarta-feira, 1 de junho de 2022

CURSO DE INTRODUÇÃO AO ZEN BUDISMO

    INFORMAMOS QUE FOI PRORROGADO PARA 29 DE JUNHO 






O quê: Fundamentos dos ensinamentos de Xaquiamuni Buda e origem do Zen-Budismo.

Como: Serão 11 encontros on-line utilizando a plataforma ZOOM.

Investimento: R$ 150,00

Inscrições por email: institutozenmaitreya@gmail.com

Quando: De 29 de junho  a  14 de setembro de 2022.

MESES

DIAS

DIAS

DIAS

DIAS

JUNHO

29




JULHO

06

132027

AGOSTO

03

1017

24

SETEMBRO

0714

Horário: Todas as quartas-feiras das 19h30 às 21h. As aulas serão gravadas

e caso a pessoa não consiga assistir no horário ao vivo, poderá assistir em

outro horário. As perguntas aos professores poderão ser feitas via Whatsapp

ou por email.


Inscrições passo a passo:


- Fazer pagamento de R$ 150,00, via depósito bancário, Banco Banrisul, agência 0032, Conta 39.069426.0-7 (conta POUPANÇA), Código do Banco para TED:041 - Dados: José Celso Aquino Marques, CPF 500.158.508-20,

- ou PIX, chave de acesso: institutozenmaitreya@gmail.com, em nome de José Celso Aquino Marques.

- Enviar o comprovante para o e-mail: institutozenmaitreya@gmail.com.

- Informando cidade, Estado e um contato de celular.

- Aguardar a confirmação do recebimento do seu comprovante e confirmação de sua inscrição por email.

Observação: Os inscritos receberão um link para o acesso às aulas on-line, por email e via grupo no whatsapp.


Programação das aulas



Aula 1 – O que é o Budismo?

Apresentação do curso e dos professores: Dozen Muni Sensei, José Eishin Sensei e Monge Seikaku

O que é e não é o Budismo

O que vai ser o curso

Importância do Zazen

Como sentar em Zazen

Textos de Ivonete e Charlote Joko Beck

Professores: Dozen Muni Sensei, José Eishin Sensei e Monge Seikaku



Aula 2- Buda e as Quatro Nobres Verdades

Biografia de Buda – início da jornada

Quatro Nobres Verdades

Texto de apoio

Professores: Dozen Muni Sensei, José Eishin Sensei e Monge Seikaku



Aula 3 – Nobre Caminho Óctuplo 1


Compreensão Correta ou Visão Correta

Pensamento Correto

Fala Correta

Ação Correta

Texto sobreo Nobre Caminho Óctuplo

Professor: Dozen Muni Sensei



Aula 4–Nobre Caminho Óctuplo 2


Meios de Vida correto

Esforço Correto

Plena Atenção Correta

Concentração Correta

Texto sobreo Nobre Caminho Óctuplo

Professor: Dozen Muni Sensei



Aula 5- História do Budismo

Origens do Budismo: Índia, China, Japão , Zen , Soto Shu

História do Budismo no Rio Grande do Sul

Professores: José Eishin Sensei e MongeSeikaku



Aula 6 - Introdução aos mestres Dogen e Keizan

Apostilas do curso

Professor: José Eishin Sensei


Aula 7 - Conceitos básicos do Budismo

As Três Jóias: refúgio em Buda, Dharma e Sangha

Os Três Preceitos Puros: não fazer o mal, fazer o bem, fazer o bem a todos

As Seis Paramitas (Perfeições): Generosidade, Atenção Plena, Tolerância, Esforço, Meditação eSabedoria

Os Selos do Dharma – Impermanência, Sofrimento e Não-Eu

Texto de apoio - CoenRoshi

Professor: Dozen Muni Sensei



Aula 8 -Samu e Cerimônias

As 5 práticas (zazen kinhin,samu,cerimônias e palestras)

Cerimônia filmada


Professores: Dozen Muni Senseie Monge Yakusan



Aula 09 - Zazen

Texto Fukanzazengi (Regras Gerais para a Prática do Zazen) de autoria do Mestre DogenZenji

Professores: José Eishin Fonseca, Muni e Seikaku



Aula 10 - Três Sutras da Soto Shu 1

Sutra do Coração

Identidade do Relativo e do Absoluto

Samadhi do Espelho Precioso

Professores: Dozen Muni Sensei, José Eishin Sensei e Monge Seikaku



Aula 11 - Três Sutras da Soto Shu 2

Sutra do Coração

Identidade do Relativo e do Absoluto

Samadhi do Espelho Precioso

Professores: Dozen Muni Sensei, José Eishin Sensei e Monge Seikaku