http://www.institutozenmaitreya.org.br/2019/04/zen-shiatsu.html

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Sãtya-siddhi-shãstra - Capítulo 152- A respeito da verdade mundana.

 

Sãtya-siddhi-shãstra

Capítulo 152- A respeito da verdade mundana.


Resposta: por diversas razões você afirma que todos os dharmas são vazios, mas este sentido está incorreto. Por que razão? Conforme foi dito anteriormente, se tudo for inexistente então esta teoria também é inexistente. Ou ainda, esta asserção não se refere á existência dos dharmas. Desta forma, sua refutação através do vazio não possui um caráter conclusivo. Em função disto, a afirmação do vazio não implica na inexistência dos dharmas. Ou ainda, sua asserção a respeito da inexistência das bases e dos objetos não consiste naquilo que é por nós esclarecido. Por que razão? Os Sutras budistas se referem diretamente a isto através dos cinco inconcebíveis. Os inconcebíveis da existência mundana, dos seres sensíveis, das causas e condições cármicas, das pessoas absortas em meditação e dos Buddhas. Estes fatores não podem ser conhecidos através do discernimento dos Sábios, apenas os Buddhas possuem a capacidade de discernir e conhecer a estes dharmas. Os Sravakas (ouvintes) e os Pratiekka Buddhas (Buddhas solitários) possuem apenas a sabedoria que conduz á realização do Nirvana. Eles realizam apenas uma pequena parte da sabedoria do discernimento dos dharmas. Os Buddhas conhecem todas as modalidades dos dharmas em sua origem e fim, e em sua natureza tanto comum quanto não comum. Estas são todas sabedorias em que é difícil se estabelecer, que são facilmente perdidas e de difícil realização. A sabedoria do vazio é uma modalidade de fácil realização, a sabedoria que discerne a todos os dharmas é de difícil realização.

Pergunta: as características dos dharmas realizadas pelo Buddha em seu assento devem corresponder a isto.

Resposta: mesmo que o Buddha ensine a todos os dharmas, ele não os ensina em todas as suas modalidades na medida em que estas não são conducentes á realização. Da mesma forma com que o Buddha ensina que todos os dharmas surgem através de causas e condições, isto não implica que ele ensine detalhadamente a cada uma de suas modalidades, ele ensina apenas aquelas que dizem respeito á extinção do sofrimento. Ele não ensina de forma detalhada a respeito das nuances das cores e dos sons, das inumeráveis distinções entre os
cheiros e os sabores. Como mesmo que sejam ensinados eles não tem relação com o benefício supramundano, ele não ensina estes aspectos. Ou ainda, ele não instrui as pessoas a respeito dos detalhes dos dharmas. E é da mesma forma a seu respeito, não existe necessidade de ensinar a este respeito. Esta necessidade aplica-se aos Sábios e não aos ignorantes. É da mesma forma com que uma pessoa com a visão impedida não pode falar a respeito do branco e do preto, como ela não os pode ver, não pode falar a seu respeito. Isto diz respeito a todas as formas. Podemos dizer que os dharmas não existem por não possuirmos as condições de conhece-los. Devemos assim confiar nos Buddhas venerados pelo mundo que conhecem a todos estes fatores. Como o Buddha ensinou a existência dos cinco agregados podemos saber que existem dharmas como a forma. Eles existem através da verdade mundana da mesma forma que um pote.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo 151 - A refutação da causalidade

 

Sãtya-siddhi-shãstra

Capítulo 151- A refutação da causalidade.

O defensor do ponto de vista do nada afirma: caso exista o fruto ele deve surgir tendo uma característica (Guna) prévia ao seu surgimento. Se formos supor o surgimento sem a existência prévia desta característica (Guna) existem dois equívocos. É da mesma forma com que não pode existir o som entre duas mãos antes delas se tocarem, ou que é impossível o surgimento do vinho sem os materiais que o constituem ou que possa surgir uma roda a partir de um lugar prévio aonde não exista uma roda. Assim sendo, o surgimento do fruto pressupõe a existência prévia da característica (Guna), o fruto não pode surgir sem esta característica. (Guna) Ou seja, é como o surgimento das bases do vento sem sua forma, é preciso que exista aí a forma. Isto seria como a existência de odor em um diamante. Ou ainda é possível constatar que a palha branca produz uma esteira branca, ou que a palha negra produz esteiras negras. Caso fosse possível o surgimento de um fruto sem pressupor uma característica (Guna) como sua causa, como poderiam palhas brancas produzir esteiras brancas ou palhas negras produzir esteiras negras? Em função disto, não é possível o surgimento de um fruto que não pressuponha uma característica (Guna) que lhe seja prévia. Logicamente falando, estas posições se constituem como duas modalidades de engano. Em função disto, não existe o fruto. Ou ainda, se o fruto já existir em meio á causa, de que forma poderá ele voltar a surgir? Se não puder ocorrer o surgimento do nada, como poderá o nada surgir?

Pergunta: caso o pote seja constituído na visão presente, como pode o pote não existir?

Resposta: se este pote não for constituído de forma prévia, como poderá ocorrer esta construção? É em função de sua não existência. Caso ele seja constituído de forma prévia, como é possível falar em constituição? Isto se dá em função de sua existência.

Pergunta: o momento da construção é chamado de construção.

Resposta: não existe o momento da construção. Por que razão? Aquilo que se constitui como o material da construção já existe em seu interior. Em função disto, tudo se dá como o momento da construção. Ou ainda, caso exista a constituição de um pote, ela tem que ocorrer ou no passado, no futuro ou no presente. Ele não foi construído no passado porque este já está extinto. Ele não pode ser construído no futuro porque este ainda não existe. Não pode ser construído no presente por já ter sido constituído como uma existência. A existência se dá em função de uma construção e pressupõe sua atividade. Neste contexto, a construção é incognoscível. Por que razão? Como partes do corpo como a cabeça não desempenham papel na construção, não existe um construtor. Como não existe um construtor, não existe a atividade da construção. Ou ainda, não importa se a causa é anterior, posterior ou simultânea ao fruto, esta tese é inconsistente. Por que razão? Caso a causa seja anterior ao fruto, ela já está extinta: de que forma poderia surgir o fruto? Seria como um filho nascendo sem o seu pai. Caso a causa seja posterior e o fruto anterior, como seria possível o surgimento sem causa? Como a própria causa não teria surgido, como poderia surgir o fruto? Seria como o nascimento de um filho anterior ao pai. Caso a causalidade se dê de uma forma simultânea, isto não seria lógico. Seria como o surgimento simultâneo de dois ângulos. (Chifres?) Não seria possível falar em causas como as já discutidas. Estas três alternativas são extremamente ilógicas. Em função disto, não existe o fruto. Ou ainda existe um erro nesta relação entre causa e fruto seja ela pensada em função de um ou de dois fatores. Por que razão? Caso eles fossem distintos deveria existir a esteira separada da palha, caso fossem idênticos não existiria distinção entre a esteira e a palha. Ou ainda, deveria existir um dharma mundano da causalidade sem distinções. Ou ainda, caso exista um fruto cuja causalidade de dê a partir de si mesmo, do outro, da conexão entre o si e o outro ou sem causa isto seria irracional. Por que razão? Um dharma não pode exercer sua função a partir de si mesmo, caso ele possua identidade ele poderia atuar por si mesmo. Ou ainda, como sua atividade não seria visível, ele não poderia atuar por si mesmo. Por que razão? Não existe nenhuma intenção no surgimento da consciência visual. Assim sendo, não existe a produção através de outro. Ou ainda, como não existe a atividade conjunta, os dharmas não possuem efetividade. A semente não tem intenção alguma em produzir o fruto, da mesma forma, a consciência visual não possui esta intenção. As consciências devem surgir de forma simultânea. Em função disto, não existe intenção nos dharmas. A causa conjunta também não possui consistência porque existem os erros da auto produção e da produção pelo outro. A produção sem causa também é irracional. Caso não existisse a causa não existiria aquele que é chamado de fruto. Se inexistem todas estas quatro modalidades, como pode existir o fruto? Se formos ensinar a existência, devemos a elas nos referir. Ou ainda, caso exista previamente a atividade da mente ou da não mente, caso se trate da atividade mental, de quem seriam as atividades mentais de um feto no útero, elas não poderiam ser exercidas pelos Devas. Conforme foi dito anteriormente a respeito do carma e da ausência de intenção (mente?), é em função da atividade deste carma que existem o passado e a atividade mental. Em função disto, o carma também não é mental. Caso a atividade mental não exista no presente, como seria possível fazer os outros sofrerem ou lhes proporcionar alegria? A ação presente do carma teria por sua exigência a atividade mental. Ela teria que ser efetivada desta forma e não de outra. Caso não existisse a intenção mental, como poderia ela existir? Assim sendo, a existência prévia da intenção ou da não intenção é irracional. Todas estas raízes são incognoscíveis. Em função disto, não existem os dharmas.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo 150- a refutação da consciência.

 


Sãtya-siddhi-shãstra

Capítulo 150- A refutação da consciência.


A consciência também não possui a capacidade de captar aos dharmas. Por que razão? A consciência é incapaz de captar a forma presente do olfato, do sabor e do contato, conforme já foi dito anteriormente, o passado e o futuro são inexistentes. Em função disto, a consciência não possui a capacidade de captar fatores como a forma.

Pergunta: caso a consciência não seja capaz de captar e conhecer dharmas como a forma, ela deveria ser capaz de conhecer a si mesma.

Resposta: os dharmas não são capazes de conhecer a si mesmos, da mesma forma com que uma espada não é capaz de cortar a si mesma. Isto ocorre porque os dharmas passados e futuros são inexistentes. Ou ainda, por não existirem outras mentes. Em função disto, a consciência não possui a capacidade de conhecer a si mesma.

Pergunta: as pessoas devem ser capazes de conhecer os dharmas da mente no momento em que conhecem outras mentes.

Resposta: da mesma forma com que ela não é capaz de conhecer a si mesma, ainda é possível dizer a partir deste ponto de vista: aquilo que se aplica á sua própria mente deve se dar da mesma forma na relação com outras mentes. Ou ainda, os dharmas futuros não são capazes de fazer surgir o conhecimento das outras mentes. Caso seja desta forma, que equívoco poderá surgir? Ou ainda, existem muitos equívocos ao afirmar que a mente tem aos dharmas como o seu objeto. A intenção pode se direcionar para os objetos, mas a consciência pode se mostrar incapaz de os captar. Ela não deve ser capaz de captar objetos como a forma. É em função deste equívoco que podemos afirmar que a consciência é incapaz de captar aos dharmas.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

sexta-feira, 8 de julho de 2022

O Budismo, O Pensamento Chinês e o Mundo Contemporâneo

 





"Existem duas questões profundamente interligadas que chamam nossa atenção e que conduzem à reflexão no mundo contemporâneo: a primeira delas é o impacto avassalador da tecnologia da informática na constituição do mundo histórico contemporâneo, o segundo é a emergência da China enquanto uma renovada perspectiva na filosofia, na ética e na política. Torna-se assim fundamental neste contexto uma tentativa de compreensão da perspectiva chinesa no campo da informática. Neste contexto chama profundamente a atenção o processo de renascimento do pensamento tradicional atualmente em curso na China, e, em particular, do pensamento budista. Existem três aspectos fundamentais nesta relação entre o Budismo e o pensamento chinês. O primeiro deles é que a transmissão do Budismo na China representa sua presença inicial em meio à uma civilização plenamente consolidada a partir de suas próprias bases, a segunda é que a filosofia budista instaura uma dialética sem síntese em meio ao pensamento chinês tradicional e a terceira é que esta transmissão do Budismo constitui um primeiro precedente que pode ajudar profundamente a elucidar a relação entre a China e a ciência e a tecnologia de origem ocidental. A existência de perspectivas filosóficas na China atual que defendem a necessidade de uma diversidade de tecnologias formuladas a partir de diferentes cosmologias (Yuk Hui) pode contribuir de forma profunda para a constituição de uma renovada modalidade de tecnologia informática e de redes sociais no Brasil e na América Latina, apontando para a superação do imperialismo tecnológico implantado através da assim chamada "mundialização da técnica ocidental"."

Joaquim Monteiro


Cronograma das aulas:


1) Introdução

2) O Budismo, a filosofia chinesa e as questões contemporâneas.

3) O Budismo das traduções de Kumarajiva.

4) A "ignorância" no Satya-siddhi-sastra.

5) Aula especial (Emily Walsh )

6) O Budismo das traduções de Xuan Zhang.

7) O "apego inerente" e o "carma coletivo" na escola Yogacara.

8) O "carma coletivo" e a tendência auto destrutiva no AbhidharmaKosa.

9) Debate com a participação da Emily Walsh e monge Seikaku (Celso Marques)

10) 
Esboço de conclusão e um renovado questionamento.


Bibliografia:

- Anne Cheng, "História do pensamento chinês", Editora Vozes, 1997.

- Bryan W. Van Norden, "Introdução à filosofia chinesa", Editora Vozes, 2018.

- Dao de Jing Laozi- tradução do original chinês e organização, Mario Bruno Sproviero, Professor de língua e literatura chinesa da Universidade de São Paulo, Hedra, São Paulo, 2002.

- Laozi-Dao de jing o livro do Tao- tradução Chiu Yi Chih, Mantra, 2017.

- Zeljko Loparic (org), "A escola de Kyoto e o perigo da técnica", Dww editorial, 2009.

"Não sou meu cérebro- filosofia do espírito para o século XXI", Markus Gabriel, Editora Vozes, 2018.

- "Porquê o mundo não existe", Markus Gabriel, Editora Vozes, 2015.

- Miguel Nicolelis, "O verdadeiro criador de tudo-como o cérebro humano esculpiu o mundo como nós o conhecemos", Crítica, 2020.

- "Modernidade e tradição na China hoje", Antonio Florentino Neto (org), editora Phi, 2021.

"Como ler a filosofia da mente", João de Fernandes Teixeira, Paulus, 2008.

- "Inteligência artificial", João de Fernandes Teixeira, Paulus, 2009.

- "Filosofia do cérebro", 
João de Fernandes Teixeira, Paulus, 2012.

- "Discovering China: european interpretations in the enlightment", edited by Julia Ching and Willard Oxtoby, University of Rochester Press, 1992.

- Yuk Hui, "Tecnodiversidade", Ubu editora, 2020.

- "As bases filosóficas do Budismo chinês", editora Phi, 2020.

- "O Budismo Yogacara: uma introdução", editora UFPB, 2015.

Como: Serão 10 encontros on-line utilizando a plataforma ZOOM.

Quando: De 15 de agosto  a  24 de outubro de 2022.

Contribuição flexível: a partir de R$ 240,00 até R$ 300,00 para quem quiser contribuir com um valor acima do valor mínimo.

Inscrições passo a passo:

- Fazer pagamento, via depósito bancário, Banco Banrisul, agência 0032, Conta 39.069426.0-7 (conta POUPANÇA), Código do Banco para TED:041 - Dados: José Celso Aquino Marques, CPF 500.158.508-20,

- ou PIX, chave de acesso: institutozenmaitreya@gmail.com,

em nome de José Celso Aquino Marques.

- Enviar o comprovante para o e-mail: institutozenmaitreya@gmail.com.

- Informando seu nome completo, cidade, Estado e um contato de celular.
   
Para poder assistir as aulas gravadas, via Youtube, precisamos que nos envie, por gentileza, um endereço de e-mail do Gmail.

- Aguardar a confirmação do recebimento do seu comprovante e confirmação de sua inscrição por email.

Observação: Os inscritos receberão um link para o acesso às aulas on-line, por email e via grupo no whatsapp. 

MESES

DIAS

DIAS

DIAS

DIAS

AGOSTO

15

22

29

SETEMBRO

05

12

19

26

OUTUBRO

03

10

17


Horário: Todas as segundas-feiras das 19h30 às 21h. 

As aulas serão gravadas e caso a pessoa não consiga assistir ao vivo, poderá assistir a gravação em outro horário. As perguntas ao professor poderão ser feitas via Whatsapp e por email.


Ministrante: Professor Doutor Joaquim Monteiro


Currículo: Joaquim Antônio Bernardes Carneiro Monteiro possui graduação em psicologia pela Universidade Santa Úrsula.RJ (1983), Mestrado em Budismo chinês pela Universidade de Komazawa, Tóquio, Japão (1997) e Doutorado em Budismo chinês pela mesma Universidade. (2001). Foi pesquisador do Instituto de estudos da cultura budista da Universidade Doho, Nagoya (1988-2003), Ensinou no Departamento de estudos budistas da Universidade de Komazawa (2001-2003), lecionou língua japonesa no Departamento de japonês da Universidade I-Show, Kaohsiung, Taiwan (2003-2005) e foi bolsista da Capes e Professor visitante na Coordenação de Pós-graduação em ciências das religiões da Universidade Federal da Paraíba, UFPB. (2013-2017). Dedica-se atualmente à tradução da literatura do Abhidharma Sarvãstivãda preservada em Mandarim e de obras da filosofia japonesa moderna e contemporânea.












quarta-feira, 6 de julho de 2022

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo 149 - A refutação do olfato, do sabor e do contato.


 Sãtya-siddhi-shãstra


Capítulo 149 - A refutação do olfato, do sabor e do contato.


Os odores não podem ser captados. Por que razão? A consciência olfativa não consegue distinguir entre a visão, o olfato e os odores. A consciência não é capaz de efetuar a audição de um odor. Em função disto, a consciência não consegue distinguir entre a visão e o olfato.

Pergunta: mesmo que ela não possa fazer uma distinção entre a visão e o odor, ela pode captar o odor ?

Resposta: não é desta forma. É como uma pessoa que não capta a visão de uma árvore e que faz surgir a consciência cognitiva da árvore em função da ignorância. Ela não consegue captar a essência do olfato. É em função da ignorância que ela faz surgir uma mente olfativa. Ou ainda, conforme foi dito anteriormente, existe um equívoco a respeito da captação ou não do odor. Por causa disto, ocorre da mesma forma a captação do odor e do paladar, o contato também é inexistente. Por que razão? Não é possível fazer surgir um conhecimento do contato através de seus objetos. É da mesma forma com que foi elucidado anteriormente. Em função disto, não existe o contato.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo 148- A refutação da audição.

 

Sãtya-siddhi-shãstra


Capítulo 148- a refutação da audição.


O proponente do ponto de vista do nada afirma: cada palavra é completamente nula. Por que razão? Da mesma forma com que a mente se extingue a cada instante de consciência, o som também se extingue a cada instante. É como pronunciar a palavra Purusha: esta palavra não pode ser ouvida. Por que razão? No momento em que ouve pu a consciência não ouve ru, no momento em que ela ouve ru, ela não ouve sha. Uma única consciência não possui a capacidade de captar a estes três sons. Em função disto, a consciência não é capaz de captar uma palavra. Em função disto, podemos saber que um som não pode ser ouvido. Ou ainda, uma mente dispersa pode ouvir um som, uma mente absorta em meditação não pode ouvir. O conhecimento derivado de uma mente em meditação é verdadeiro, em função disto o som não pode ser ouvido. Ou ainda, não importa se um som pode ou não ser captado, ele não pode ser ouvido. Como ele não pode ser ouvido, não existe audição. Ou ainda existe quem afirme que o ouvido possui uma natureza vazia. Assim sendo, não existe ouvido, não existindo ouvido não existe audição. Ou ainda, não existem causas e condições na audição. Em função disto, não existe a audição. Existe apenas a correlação entre os elementos, e esta relação é incognoscível. Por que razão? Se a natureza dos dharmas for distinta, como poderá se estabelecer sua correlação? Se ela se situar em um local, este local também estará sujeito á extinção instantânea. Assim sendo, a correlação é incognoscível.

Traduzido por: Prof. Dor. Joaquim Monteiro

Sãtya-siddhi-shãstra Capítulo147- A afirmação do nada.



Sãtya-siddhi-shãstra

Capítulo147- A afirmação do nada.

O defensor do ponto de vista do nada afirma: você procura refutar o nada através do discurso, mas os dharmas são inexistentes por serem as bases e os objetos impossíveis de serem captados. Por que razão? Não existem características passíveis de serem captadas nos dharmas. Em função disto, todos os dharmas são incognoscíveis. Como são incognoscíveis se constituem como o nada. Você afirma que existem aspectos que podem ser conhecidos e outros que não, mas isto é claramente uma inconsistência. A mente não pode surgir a partir destes aspectos. Por que razão? Objetos como um veado ou um pote podem ser conhecidos, eles não consistem em partes. Por que razão? Caso existam partes nos será possível falar delas, caso elas não existam nada poderemos falar. Ou ainda, como as características não possuem partes, não é possível delas falar. Em função disto, não existem partes. Ou ainda, se for possível a visão detalhada de um pote, deveria surgir constantemente a mente a ela referente e não a mente de um pote. Por que razão? Se a mente estivesse constantemente focada como a
mente de um pote, não deveria surgir esta mente de um pote. Ou ainda, caso exista inicialmente a memória do pote e a mente do pote surgisse posteriormente, a mente do pote teria que surgir por um longo período. No entanto, como este período não é verdadeiramente longo, ele não pode tornar-se em um objeto de atenção. Ou ainda, se ao ver um pote não surgir a mente que o discerne, surge apenas a visão do pote e não a das suas partes. Por que razão? Os potes teriam que ser considerados no processo de sua decomposição e em seus elementos constituintes. Se um aspecto fosse refutado, ocorreria o retorno ao nada. Ou ainda,
como todos os dharmas fazem surgir a sabedoria do vazio em seu aspecto último, em função disto, estas partes não existem na Verdade Última. Ou ainda, se as partes forem enumeradas, será vedada a Verdade Última. Por que razão? Se uma pessoa ensinar que não existem as partes, mas apenas a totalidade, não existirão as visões da extinção e dos diversos carmas no passado e no futuro. Caso seja desta forma, não existirá a Verdade mundana. Se você faz do vazio a Verdade Última, não existirão partes em meio á Verdade Última. Em função disto, não poderá ocorrer a penetração da Verdade Última a partir destas partes. O não penetrar na Verdade última é o nada. Ou ainda, se os dharmas pudessem se tornar no passado, isto significa que eles são o nada. Em função das partes terem se tornado passado, as partes posteriores são extintas surgindo novas. Como são sujeitas á extinção, não existe como discutir a respeito delas. Ou ainda, dharmas como a forma são inexistentes. Por que razão? Os olhos não podem ver as partes mais detalhadas e sutis, a mente não pode captar a forma presente.

Em função disto, a forma não pode ser captada. Ou ainda, a consciência visual não pode captar a forma. A consciência reside no passado não podendo captar a forma. Em função disto, não existe o discernimento da forma. Como não existe o seu discernimento, a forma não pode ser captada. Ou ainda, a consciência inicial não pode discernir a forma e a consciência subsequente também não o pode. Assim sendo, não existe o discernimento da forma.

Pergunta: em função da consciência visual surge esta consciência, em função disto surge a memória ?

Resposta: não é assim. Por que razão? Todas as consciências posteriores surgem da consciência visual e é em função disto que elas possuem memória. Ou ainda, elas não deveriam estar sujeitas ao esquecimento. Como elas surgem a partir daí, isto não possui consistência. Em função disto, a consciência mental também não possui memória. Ela é como uma falsa memória. É um erro dizer que ela é capaz de captar coisas como a forma de um pote, isto seria uma proposição falsa. Esta captação não existe. Em função disto, tudo isto é inexistente. Ou ainda, se formos afirmar que a consciência visual pode alcançar a visão da forma, isto não é possível. Caso isto ocorra não se trata da consciência visual. Já foi explanado
anteriormente que não existe uma característica errônea na visão. Se a visão não for alcançada e se tornar possível a visão da forma, teria que ocorrer a visão simultânea da forma em todos os seus aspectos, mas isto não ocorre. Em função disto, podemos dizer que não é possível a visão da forma.

Pergunta: a forma pode ser vista através da esfera da consciência visual ?

Resposta: se a visão mesmo não sendo alcançada for chamada de esfera visual, todas as formas teriam que ser incluídas nesta esfera. Em função disto, não existe este alcance. Não ocorre esta visão em seu conjunto. Em função disto, não existe um conhecimento da forma através da consciência visual. Ou ainda, caso a forma visual existisse anteriormente e a consciência visual surgisse posteriormente, esta consciência visual não se apoiaria em nada e não teria objeto. Caso em um momento as causas e condições do surgimento da consciência não fossem chamadas de consciência visual, este momento não teria uma característica por sua causa. Ou ainda, se o olho consistir nos quatro elementos que tornam possível a visão, fatores como o ouvido não poderiam ser vistos por serem idênticos a estes quatro elementos.

É da mesma maneira no que diz respeito á forma. Ou ainda, se o objeto ou a inexistência do objeto na consciência visual aparecer conjuntamente isto já será passado. Por que razão? Se a consciência visual se der através da visão, ela possui um local. Caso não exista este local ela não terá apoio, se você defende que a consciência surge a partir das partes, isto só fará surgirem objetos parciais, se isto for geral, poderá surgir uma mesma consciência como algo que exige um objeto. Aquilo que possui um local possui partes. Se as diversas consciências
surgirem em função de uma única consciência, existe aí claramente um erro. Ou ainda, poderia se tornar possível o surgimento simultâneo de diversas consciências. Ou ainda, cada consciência conheceria uma parte, não podendo existir partes em cada consciência. Não existe aí uma parte passível de ser conhecida. Tudo isto se constitui em equívocos. A ausência de um apoio implica na ausência de uma base visual.

Traduzido por: Prof. Dr. Joaquim Monteiro